ARTISTAS RJ

Patricia



 
 

 

Fotografia – Flávia Correia

Nascida em 1953, Ruth saiu muito cedo de Belém do Pará. Na capital paulista aprendeu corte e costura; apesar disso, acabou indo trabalhar na venda de sapatos. Passou por várias cidades de Goiás, Mato Grosso, Minas, São Paulo e sabe-se lá onde mais, até chegar ao Rio de Janeiro. No entanto, a decisiva “viagem ” havia começado aos 17 anos, na utopia hippie das ruas de Cabo Frio, levando-a, tempos depois, à Colônia Juliano Moreira, onde ficaria internada por cerca de 11 anos. Cada vez que “escapava”, sobrevivia como doméstica, em “casas de família”, aqui e acolá. Eventualmente, além da própria costura, do bordado e outros ofícios, arriscava a pintura nos programas de terapia ocupacional do hospital. Nessas ocasiões, usava, às vezes, os próprios dedos, cedendo ao apelo mais físico, presente, mas também fantástico da cor, em detrimento da idéia desenhada. Na fantasia colorida, Ruth tornava-se Patricia. Decerto, o mundo das cores pode ser tão maravilhoso quanto aquele de Alice. Mais que isso, menos aflitivo. Depois do fim de sua internação, Ruth dedicou-se à vida familiar, mas o mundo colorido de Patricia retomou sua atenção. Desde então, o lirismo espontâneo de sua imaginação pessoal vem experimentando, conforme se aproxima da descoberta figurativa, a poderosa harmonia estrutural que existe entre pintura e emoção. Dessa experiência surge, dentre outras coisas, beleza. Patricia integrou a coletiva “Uma Pegada Atrás da Arte” (sua 1 a exposição fora do MNS) , no MNBA, ao lado de trabalhos de Gilmar, Lobão, Daniel Matola, Fernando Diniz e Bispo.

texto cedido pelo Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea