DEBATES





Da criação à circulação

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O compromisso da atenção psicossocial em saúde mental se reflete na orientação de práticas que visam garantir o pertencimento social dos sujeitos considerados loucos, ou seja, a participação destas pessoas no universo das trocas sociais. Projetos de geração de renda, ateliês e oficinas terapêuticas, centros de convivências, cooperativas, enfim, iniciativas que visam a construção de modos de inserção social, possuem o compromisso de fazer circular na cultura os produtos e objetos criados pelos sujeitos em sofrimento psíquico. Assim, um campo para as trocas de bens, mensagens e afetos se abre para estas pessoas, aspecto primordial ao pertencimento social. Incorporado à proposta do projeto Cartografias da Criação, o pertencimento social torna-se a temática desta mesa, a partir da interlocução específica entre arte contemporânea e saúde mental. Investir nas questões trazidas pela arte contemporânea rompe a tendência da psiquiatria tradicional de afastar, pela segregação da diferença, o sujeito de seu tempo, tornando-o extemporâneo. Atualiza o sujeito por colocá-lo no centro das questões lançadas pelos modos de vida na contemporaneidade. E onde estão obras das quais falamos? Em galerias ou centros culturais? Compondo acervos de coleções particulares ou de museus? Não. Estão guardadas em instituições da saúde mental ou com seus criadores. Pouca coisa circula. Promover esta mesa significa incentivar a reflexão sobre as estratégias atuais de fomento e divulgação da produção artística das pessoas ditas loucas. Significa, principalmente, investir na busca por novas propostas que contribuam para a circulação destes artistas e suas obras, sobretudo, através dos bens e equipamentos disponibilizados pelo setor cultural.